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Comércio exterior31 de agosto de 20262 min de leitura

Petróleo ganha espaço na pauta exportadora da Argentina com impulso de Vaca Muerta

O avanço da produção de Vaca Muerta elevou as exportações de petróleo da Argentina no primeiro semestre de 2026 e colocou o produto no topo do ranking individual, enquanto o complexo petrolífero-petroquímico se aproximou do complexo da soja.

Tanques de armazenamento e infraestrutura petrolífera em uma paisagem árida associada à produção de petróleo não convencional
Contêm Insights Editorial

A expansão da produção não convencional em Vaca Muerta aumentou a participação do petróleo nas exportações argentinas durante o primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, o petróleo cru foi o principal produto individual vendido pelo país ao exterior, à frente de itens tradicionais como milho e soja, segundo dados baseados em estatísticas do Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC).

O desempenho foi sustentado pelo crescimento dos volumes exportados. De acordo com as fontes consultadas, a produção de shale oil avançou e ampliou a capacidade argentina de enviar petróleo ao mercado externo, fortalecendo o setor de hidrocarbonetos como gerador de divisas.

Na análise por complexos exportadores, o setor petrolífero-petroquímico acumulou US$ 8,116 bilhões no primeiro semestre, alta de 43,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O complexo da soja registrou US$ 9,082 bilhões, com crescimento de 5,7%. A diferença entre os dois grupos ficou em US$ 966 milhões.

Dentro do complexo energético, as exportações de óleos crus de petróleo somaram cerca de US$ 4,7 bilhões no período. A receita desse segmento cresceu aproximadamente 48% na comparação anual, impulsionada principalmente pelo aumento das quantidades embarcadas, que avançaram 24,9%. A elevação dos preços internacionais também contribuiu para o resultado.

A soja apresentou uma evolução mais moderada. As exportações de farelo e pellets cresceram 0,7%, enquanto as vendas externas de grãos aumentaram 7,9% e as de óleo, 8,2%. Os volumes exportados de subprodutos, porém, recuaram 2,3%.

A comparação entre os primeiros semestres de 2023 e 2026 evidencia a mudança na composição da pauta exportadora. Nesse intervalo, o complexo sojeiro cresceu 16,8%, enquanto o petrolífero-petroquímico dobrou de tamanho, com expansão de 100,2%.

Apesar da aproximação entre petróleo e soja e da liderança do petróleo entre os produtos individuais, o conjunto do agronegócio continuou à frente. A soma de soja, milho, trigo, carnes e girassol alcançou US$ 20,630 bilhões no primeiro semestre de 2026, superando com folga o resultado do complexo petrolífero-petroquímico.

Os dados indicam, portanto, uma transformação no ranking individual das exportações argentinas, sem alterar a liderança do agronegócio como bloco. Com a produção de Vaca Muerta crescendo em ritmo superior ao da soja, a energia passou a ocupar uma posição mais relevante na geração de receitas externas do país.