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Navegação15 de setembro de 20263 min de leitura

Armadores ampliam retorno de serviços ao Canal de Suez, mas retomada total ainda não está no horizonte

Maersk e Hapag-Lloyd transferiram novos serviços entre Ásia e Europa para o corredor de Suez, reduzindo o tempo de trânsito em rotas específicas. As empresas, porém, condicionam novas mudanças à segurança no Mar Vermelho e no Oriente Médio.

Navio porta-contêineres navegando em uma rota marítima próxima ao Canal de Suez
Contêm Insights Editorial

A Maersk e a Hapag-Lloyd iniciaram uma nova etapa de retorno gradual ao Canal de Suez, depois de manterem a maior parte dos serviços Ásia–Europa na rota do Cabo da Boa Esperança. A mudança recoloca alguns serviços no corredor mais curto entre a Ásia e a Europa, mas ainda não representa a reabertura ampla da rota para toda a rede.

Em um dos movimentos anunciados, o serviço AE19, operado pelas duas empresas no âmbito da Gemini Cooperation, passou a utilizar Suez em vez de contornar a África. A alteração teve efeito imediato e começou com a viagem para oeste do navio Berlin Maersk. De acordo com a Hapag-Lloyd, a mudança pode reduzir em cerca de quatro semanas o tempo de trânsito em comparação com o percurso pelo Cabo da Boa Esperança.

A Maersk informou que a decisão foi tomada após uma avaliação das condições de segurança no Mar Vermelho. A Hapag-Lloyd classificou a medida como um ajuste direcionado a um serviço específico, e não como uma retomada generalizada da rede. A empresa acrescentou que futuras alterações dependerão da segurança, da viabilidade operacional e dos efeitos para os clientes.

As fontes também registram outro anúncio de ampliação do retorno. Segundo a Maersk, os serviços conjuntos AE5, AE11, AE12 e ME2 seriam transferidos para o corredor de Suez, oferecendo tempos de trânsito mais eficientes. As duas companhias já haviam anunciado, no início de julho e novamente em agosto, a retomada de alguns serviços que conectam a Ásia ao Mediterrâneo e à Europa.

Apesar desses movimentos, outros nove serviços da Maersk que poderiam se beneficiar da rota pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez continuavam, conforme informado à Euronews, a contornar o Cabo da Boa Esperança. A empresa não comentou possíveis mudanças futuras.

A cautela está relacionada tanto ao cenário de segurança quanto à gestão da capacidade. A rota ao redor da África exige mais navios porque prolonga as viagens, enquanto um retorno simultâneo a Suez poderia liberar embarcações em um momento de recebimento elevado de novos navios. Para analistas ouvidos pela Euronews, uma volta acelerada poderia pressionar as tarifas para baixo.

O retorno gradual também limita, no curto prazo, o efeito sobre importadores europeus. Serviços específicos podem oferecer viagens mais curtas, mas os tempos de trânsito de toda a rede não devem voltar imediatamente aos padrões anteriores.

O Canal de Suez é a ligação marítima mais curta entre a Ásia e a Europa. A redução do uso da rota elevou a duração das viagens e o consumo de combustível, além de afetar as receitas do Egito. Em junho, a Autoridade do Canal de Suez afirmou que a economia operacional e os tempos menores de trânsito estavam contribuindo para o retorno de alguns porta-contêineres.

A travessia do CMA CGM Vendôme, com capacidade para 24 mil contêineres de 20 pés, marcou a primeira passagem rumo ao sul do serviço FAL 3 pelo canal desde janeiro. Segundo a autoridade, navios da CMA CGM fizeram 104 travessias entre janeiro e maio, somando 12,5 milhões de toneladas.

O movimento de Maersk e Hapag-Lloyd indica recuperação inicial do tráfego em Suez, mas as próprias empresas e analistas citados nas fontes avaliam que ainda não há base para falar em retomada abrangente.