Hapag-Lloyd e FIMI preparam nova estrutura para compra da ZIM
A Hapag-Lloyd e a gestora FIMI pretendem apresentar até 27 de setembro uma proposta revisada para a aquisição da ZIM, com mudanças na estrutura de controle e nas garantias de operação marítima de Israel.

A Hapag-Lloyd e a gestora israelense FIMI vão apresentar uma proposta revisada para a aquisição da companhia marítima ZIM até 27 de setembro. A reformulação ocorre após reuniões com autoridades do governo de Israel e busca responder a preocupações sobre a segurança marítima do país e a preservação dos poderes associados à chamada Golden Share.
A nova estrutura prevê que a operação israelense de transporte de contêineres seja restabelecida sob controle integral de Israel e passe a ser propriedade da FIMI. A empresa também assumiria responsabilidades ampliadas relacionadas à Golden Share, mecanismo que dá ao governo israelense poderes sobre aspectos estratégicos da companhia.
Entre as mudanças anunciadas está a redução de 24% para 10% do limite de participação que um investidor privado estrangeiro poderia adquirir sem notificar ou obter autorização do governo israelense. A FIMI também se comprometeu a não listar ações da operação israelense fora do mercado do país.
O desenho revisado pretende ampliar o acesso da empresa a rotas internacionais, incluindo uma conexão direta com o Extremo Oriente, além de incorporar capacidade para cargas refrigeradas e permitir o uso do pool global de contêineres da Hapag-Lloyd. O governo israelense também teria autoridade mais abrangente sobre a nova operação, incluindo acesso à frota de 16 embarcações.
A estrutura original previa três serviços diretos: dois para a Grécia e um para os Estados Unidos. Segundo as informações divulgadas, autoridades israelenses consideraram necessário ampliar a rede para assegurar acesso independente a rotas internacionais durante uma eventual crise. Seis dos oito órgãos governamentais israelenses que deveriam emitir pareceres haviam se manifestado contra a transação.
A Hapag-Lloyd havia concordado em fevereiro em comprar a ZIM por US$ 35 por ação, em dinheiro, atribuindo ao negócio um valor aproximado de US$ 4,2 bilhões. Os acionistas da ZIM aprovaram a fusão em 30 de abril, mas a conclusão ainda depende de autorizações regulatórias e é esperada para o fim de 2026.
Caso seja concluída, a combinação reunirá uma frota superior a 400 navios, capacidade acima de 3 milhões de TEU e volumes anuais transportados superiores a 18 milhões de TEU. A Hapag-Lloyd estima sinergias anuais entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões.
