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Meio Ambiente e Sustentabilidade9 de setembro de 20263 min de leitura

Porto de Santos realiza abastecimento de navio transoceânico com etanol brasileiro

Operação abasteceu o porta-contêineres CMA CGM IRON com cerca de 640 mil litros de etanol e abre uma frente para o uso de biocombustíveis na navegação internacional.

Navio porta-contêineres sendo abastecido por uma barcaça em um terminal portuário
Contêm Insights Editorial

O Porto de Santos realizou o primeiro abastecimento de um navio porta-contêineres transoceânico com etanol produzido no Brasil. A operação envolveu a Copersucar, a CMA CGM, a Bunker One, a AGEO Terminais, o Terminal Santos Brasil e a fabricante de motores Everllence.

O combustível foi transferido para o CMA CGM IRON, embarcação com capacidade para 13 mil TEUs e motor tricombustível certificado para operar com bunker fóssil, metanol e etanol. Ao todo, foram fornecidas 500 toneladas do biocombustível, volume equivalente a aproximadamente 640 mil litros.

A operação foi preparada ao longo de cerca de dois anos. O processo incluiu a produção do etanol em uma usina da Copersucar, o transporte até Santos, a armazenagem em terminal dedicado, a transferência para uma barcaça e, por fim, o abastecimento do navio.

O etanol utilizado é hidratado, atende à especificação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e foi produzido em uma usina com certificação internacional. O navio seguirá para a Ásia, com utilização do combustível em parte do percurso e combinação com outros combustíveis compatíveis com seu motor.

Segundo as empresas envolvidas, a viagem permitirá acompanhar parâmetros como eficiência, autonomia e desempenho operacional. A iniciativa também coloca o Brasil entre os países capazes de fornecer combustíveis renováveis para navios empregados na navegação de longo curso.

A operação pode ampliar o papel de Santos no abastecimento marítimo de baixo carbono, apoiada pela disponibilidade comercial do etanol e pela infraestrutura já existente no país para sua produção e movimentação. A CMA CGM informou que pretende operar cerca de 200 navios capazes de utilizar energias de baixo carbono até 2031, dentro de sua meta de neutralidade de carbono até 2050.